Xiitas e Software Livre – xiitas não, xaatos

Muitos tem se levantado contra o Software Livre no Brasil e contra diversas distribuições com alguns argumentos, mas… vamos relembrar um pouco a historia, vamos recordar….. é preciso recordar …

A muitos anos atrás em uma galaxia distante era muito bom instalar uma distribuição Linux e ficar horas configurando alguma coisa, como um modem ou uma placa de vídeo para se atingir a resolução ideal do monitor, sem deixar as frequencias horizontais e verticais erradas e o que podia implicar na inicialização do X Window System, sendo o XFree86. Ah, como era bom isso, antes no RedHat Linux (o melhor), e Conectiva era necessário configurar com as únicas facilidades disponíveis como o Xconfigurator, xorgconfig, dpkg-reconfigure xserver-* e xf86config. Muitas pessoas sofriam com o /etc/X11/XF86Config porque era necessário um certo conhecimento das configurações fisicas do monitor e seu fabricante, como uma boa leitura do tldp.org e alguns manuais do Conectiva Linux e Slackware Linux Essentials e Slackware Configuration Help. Era uma grande droga quando o seu monitor infelizmente só permitia a configuração “31.5; Standart VGA, 800×600 @ 60 Hz” e graças a Deus o meu felizmente suportava a configuração de “31.5, 35.15; 35.5; Non-Interlaced SVGA, 1024×768 @ 60 Hz, 800×600 @ 72 Hz”. Ahh se o ncurses falasse na compilação do kernel e se o module-init-tools nao nos apoiasse tão bem nesse procedimento. No menu de configuração do xorgconfig do Slackware a primeira pergunta era sobre o mouse, e ai de vc errar isso porque ou era (especificamente) “1” para auto ou “4” para PS/2. Logo, voce precisava saber se vc usava o IMPs2, e entao o /dev/mouse era definitivamente usado e disponível pelo seu antigo /dev/psaux e logo substituído para /dev/input/mice (e ai de voce mais a frente não colocasse o Emulate3Buttons no seu XF86Config). Apos tudo configurado certinho ainda era necessário optar pelo bom e velho .xinitrc ou por ferramentas como wmconfig, dpkg-reconfigure, switchdesk ou editar o bom e velho /etc/sysconfig/desktop para que te possibilitasse escolher o seu sabor de desktop. E os eternos “if” no /etc/rc.d/rc.4 para iniciar o xdm, kdm ou gdm do slackware? Era uma grande experiência nessa época.

Você que fala e reclama de drivers HOJE da NVIDIA, INTEL e ATI, você não sabe o que era os drives da SYS, ATI, Trident e S3. Você precisava definir corretamente o Mach64 para ATI64, P9000 para Diamond, S3V para S3 (essa era terrivel) e SVGA para Trident, o que ja me deixou horas e dias sem dormir para configurar corretamente  e combinar com as taxas de hz do monitor. Nesta época, se vc tivesse um pouquinho de sorte era coisa de 5 a 8 execuções do X11 pelo script startx. Ahh quantos CRTL + ALT + BACKSPACE.

A muitos anos atrás era muito maneiro configurar uma placa de som ISA no Linux, utilizando o bom e velho isapnptools, o pnpdump identificar e estruturar o /etc/isapnp.conf assim como ativar o Open Sound System (OSS) e seus diversos modulos em uma compilação do kernel na epoca do kernel 2.2, até mesmo depois com a evolução do kernel fazer com que os drives em /lib/modules/2.4.*/kernel/drivers/sound funcionassem corretamente. Nas epocas da soundblaster 8, 16 e awe64 e no inicio do kernel 2.4, ver durante o bootstrap a seguinte mensagem: “isapnp: Scanning for PnP cards ….” era muito emocionante. Mais ainda, quando identificava totalmente o isapnp o dispositivo e automaticamente colocava para funcionar e/ou apenas apos a utilização do bom e velho sndconfig, que acompanhava o RedHat Linux 5 e que podia ouvir claramente a voz do Linus Torvalds dizendo como pronunciava o nome “linux”, ele dizia: “- Linux se pronuncia, Linux.” Ahhhh /dev/dsp, /dev/pcsp, /dev/pcaudio, /dev/audio, /dev/mixer (e todos os seus equivalentes) como eu sofri com você e até mesmo cometia os erros mais idiotas de segurança colocando vc como 777 (isso mesmo, deixava outros com full, para o meu som funcionar, por causa da velha preguiça de tratar grupo). E quantas vezes utilizei o /dev/MAKEDEV para criar isso heim? Poxa.. era muito maneiro essa epoca. O bom era recompilar o kernel 2.4 e ativar no ALSA o suporte ao OSS via memory mapping (mmap), para que a minha placa de som funcionasse e logo após substituído pelo pacote alsa-oss. Era bom devido a sua ideia de reduzir as latencias dos servidores de som do Linux (assim que foi implementado).

Não posso esquecer é claro do kduzu fazendo milagres no boot.

E o USB? PCMCIA? Ihhh rapaz. Na época do kernel 2.2 era muito cruel vc encontrar o arquivo /proc/bus/usb/devices limpo e sem informação alguma, e agora? Somente encontrava o usb-ohci, usb-uhci e aonde estava o ehci com o USB2? Não funcionava o ohci e uhci? Então a solução na época vinha pelo bom e velho hotplug. No kernel 2.2.18 já era possível ter o USB e então era necessário compilar um kernel mais novo e ativar os endereços e informações de dispositivos e ativar no seu /etc/conf.modules os modulos para uhci como hid, joydev e ate mesmo a sua impressora. Isso tudo somente era possível através da compilação do kernel, que dependia de horas no processo do make dep e make zImage. Ainda sim, se o seu /proc/bus/usb não estivesse lá era necessário colocar o usbfs no seu /etc/fstab, se não nada de USB pois o /proc/bus/usb nao ia aparecer.

Ahh se o linuxconf falasse heim? Entregava meia duzia que gostava disso ou somente sabia configurar o Linux por este. Hoje as pessoas falam de Unity e reclamam dele, mas antes era o twm, fvwm e o 95 que parecia o velho Windows 95. Hoje o pessoal fala de Elementary OS, PearOS mas o que era bom mesmo era o mlvwm ou o amiwm, para os bons momentos do AmigaOS (pq lembrava muito o workbench). Pessoal hoje reclama que o Unity ou o GNOME 3 esta pesado, mas antes voce tinha que configurar bastante o seu Xfree86 para ter um Linux bem redondo e não depender totalmente do dri e glx.

E as placas de rede heim? Caramba cara, era muito bom configurar e compilar o kernel para ativar uma placa que não estava no kernel como módulo. Como era interessante o SuSE Linux nas épocas da versão 7, ele trazia consigo muitos scripts e muitas diferenças pelo sua herança ao SLS (eu disse SLS ou Slackware?) A configuração de rede no SuSE era em /etc/rc.config e lá era necessário configurar o NETCONFIG que definia o número de interfaces ou seja _0 ou _1, IPADDR_X (X para interface), NETDEV e o IFCONFIG_X que armazenava as configurações de rede para aquele dispositivo, seja ele eth0 ou eth1. E quando tinha que colocar o driver correto em /etc/modules.conf no RedHat e /etc/modprobe.d/aliases no Debian. Ou seja, alias eth0 seu_driver.

Eu proponho aos que tanto atacam o trabalho de vários desenvolvedores como do GNOME, Unity e KDE a criarem os seus próprios ou pelo menos, voltar um pouco lá atrás e viver o mínimo do que eu comentei aqui em cima. Existem também os desenvolvedores que atacam os outros porque “desenvolvem mais ego do que programas”. A estes, já vi muitos desenvolvedores da minha época, estarem no UNIX e Linux passar vergonha por nao saberem os passos da compilação do kernel ou até mesmo configurar uma simples distribuição. Não saber diferenças de caminhos de configurações tão ridículas e o porque elas estarem ali. Ja vi um passar vergonha porque não sabia configurar o OpenLDAP na mão, coisa boba e de menos de 10 minutos. A questão é o EGO e isso fere o trabalho da comunidade séria e competente que trabalha com Software Livre.

Ahh, mas porque vc falou tudo isso la em cima? Ok! Dizem por ai que a hora do Linux, Software Livre e o ano do Linux ainda está para chegar. Para vcs eu digo, ja chegou, ja te atropelou faz tempo e vc ainda nao viu. Trolls, WinUsers de dualboot e filósofos que mal conhecem as opções do comando ls vivem falando isso. Então vamos la.. (vou resumir…)

Hoje, voce não depende mais de milagres do DiskDruid, Debian Installer em GUI pelo installgui, passar horas compilando ou buscando muitas informações na internet ou correr atras de irc, perguntando, perguntando e por ai vai. Hoje, vc e qualquer instala uma distribuição Linux pois a possibilidade e criação de muitos desenvolvedores com o poder do Software Livre, tem disponibilizado ferramentas gráficas de alta-eficiência, como o Ubiquity, Anaconda, AutoYaST e outros. As ferramentas tem melhorado absurdamente e qualquer um que conhece e consegue mexer com um Android, mini-game, relógio digital, ja consegue instalar uma distribuição Linux e usar. Não se tem mais aquele famoso gasto de tempo configurando, configurando, configurando.. como antes.

GNU, Linux e o Software Livre esta em toda parte…. Quantos dos seus vizinhos mexiam com o StarOffice? E agora? Quantas pessoas vc conhece que conhece o LibreOffice? O LibreOffice, simbolo de perfeição esta ai para demostrar o poder do Software Livre.

Quantas pessoas ficavam horas baixando o Doom, Doom2 e Ultimate Doom para rodar no Linux com o CD Original la dentro? Ou quem nunca foi viciado em games do kde-toys e Gnome-Games? Hoje, ja ouvimos pessoas jogando em massa o OpenArena, SuperTux, Penguim Racer e muitos ja estão comprando jogos com o Steam. O que??? Steam no Linux? Desera e outros? Poxa! Evoluiu heim?

Linux esta em praticamente 80% dos smartphones no mundo todo e em até geladeiras. Graças a boa e eficiente Software Livre, salvando varias empresas com suas soluções de Linux embutidas no mundo.

Bom, xiitas? Me recordo que antes o termo hacker era usado para o cara do mal, quando na verdade é para definir alguem com bons conhecimentos de sistema e desenvolvimento. Xiitas na verdade é um termo relacionado a todo aquele que defende uma posição e bota fé nela com total convicção e conhecimento do que diz. Agora como filosofia não enche barriga e nem ego, seria interessante e coerente muitos que se dizem assim, estudar, tirar certificações e realmente trabalharem com Linux. (dalhe putty, bom, esquece o que eu disse, mas nada contra o putty ta? prefiro o mobaterm ou o proprio cygwin).

Sobre ser totalmente Software Livre? Bom, vou logo dizer eu sou um profissional UNIX que não adere 100% software livre, com soluções e sistemas UNIX bem caros assim como Linux a muito tempo, quem ja foi meu aluno me conhece bem. Toda a minha especialidade esta em UNIX e Linux o que compõe as minhas certificações e experiência de trabalho de anos, posso dizer com toda sinceridade, eu VIVO e TRABALHO com que eu defendo, amo e uso.  ;)

Mas eu fico muito feliz em saber que muitos que criticam distribuições como o Ubuntu, Fedora, FreeBSD (ei, BSD não é GNU/Linux!), e outros utilizam em suas máquinas o GNU/HURD com um lemote, ou uma máquina com a firmware BIOS/UEFI substituída por LinuxBios (HOJE a corebios). Fico muito feliz em saber que os “xiitas do movimento irracional dentro do racional Software Livre”, utilizam máquinas que compõe um conteúdo aberto, smartphones que utilizam tecnologias e sistema operacionais totalmente livre, firmwares sem associações proprietárias ou o excelente kernel da FSFLA sem NENHUM “blobs” ou driver proprietário da NVIDIA ou ATI. Rsrsrs porque se não, pega mal ne garotão?

Recomendo, a leitura e o interesse então pelas distribuições GNU recomendadas: http://www.gnu.org/distros/free-distros.html

Eu particularmente gosto do framebuffer ele me atende muito bem. Navegadores como links e links2, o cliente de email perfeito mutt e o fbi para ver as lindas e perfeitas imagens de um album de fotografias, como ver DVD no mplayer. TUDO ISSO, sem a necessidade de utilizar a interface gráfica ou ate mesmo de estar instalada. Quem nunca usou um fbdev com vga=792 ai? Apesar de gostar do bom e velho 800×600 em 788, mas para que interface gráfica? Sim, ela é útil e agradável e nunca se esqueça que desenvolvedores trabalham em cima delas para deixar o sistema do mal, ops, Windows bem fraquinho perto delas. Quem nunca aqui fez a tela pegar fogo ou fazer o famoso cubo do compiz executar? Que atire a primeira pedra!

E os que dizem “como vou saber que a distro mesmo com isso desabilitado não esta enviando informações para aquele servidor…..” como é engraçado ver alguem dizer isso e não saber mexer no que defende. É o mesmo que dizer, “como vou saber que o ls realmente listou o diretório?”. Se um funcionário dizer isso pra mim, coloco na rua e ainda chamo de incompentente e ainda mando estudar!

Alias, como é bom ver empresas como a Microsoft copiando cada vez mais essas maravilhas do Software Livre.

e termino dizendo…

Ja vi muito “EGO” não conseguir configurar uma placa de rede e não saber distinguir as diferenças entre as distribuições, então vamos ter mais humildade, pois o pessoal tem falado muito mal de distribuições e Software Livre. Vamos valorizar mais o trabalho de muitos desenvolvedores, administradores e usuários no mundo todo e deixar de criar movimentos dentro de movimentos.

Sobre o RMS? Se ele nao fosse tão chato como ele é, não teríamos essa boa “balança” no software livre e sem ele, acredito que seria uma bagunça e por isso dou graças a Deus pela vida dele e pelo seu trabalho de anos.

Que bom que o Software Livre cresce cada vez mais e com ele o GNU/Linux. Pois não é atoa que o Linux é o poder.

Não vamos jogar o excelente trabalho da antiga VALinux, Cygnus, RedHat, Canonical e de muitos outros fora..

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